CONVÍVIO ESPIRITUAL - 3º.DOMINGO DE JANEIRO/2011

Convívio espiritual/janeiro 2011

 

Renovação: esse foi o espírito que envolveu a primeira reunião de convívio espiritual de 2011 da Fraternidade Espírita Irmão Glacus (FEIG). A reunião, realizada todo terceiro domingo do mês, aconteceu no dia 16 de janeiro na Fundação Espírita Irmão Glacus.

 

O estudo inicial baseou-se na lição no 97, intitulada “Amas o bastante?”, do livro Caminho, verdade e vida, do espírito Emmanuel, psicografado por Chico Xavier. De acordo com essa lição, Jesus ensinava com o olhar, a presença, a palavra, ou até mesmo o silêncio. Cada questionamento Dele causava no mínimo inquietação: ou nos paralisamos ou movimentamos recursos – a escolha é nossa. Conforme narra o Evangelho, no momento em que Jesus pergunta por três vezes a Pedro “Tu me amas?”, há uma intenção nessa “insistência”, pois Jesus conhece Pedro, assim como cada um de nós, mas precisava fazer o discípulo mergulhar profundamente dentro de si para encontrar o amor. A verdade está no profundo do ser, por isso é preciso que tenhamos uma postura profunda em tudo o que fazemos. É difícil responder negativamente àquela pergunta de Jesus – Tu me amas? –, entretanto, amá-Lo é o esforço que fazemos todos os dias para vencer nossas dificuldades; é conhecer, sentir e viver o Evangelho.

 

Quando temos uma decisão a tomar, se nos baseamos no Mestre, temos condição de descobrir o quanto precisamos avançar, mas também o quanto já alcançamos. Pedro era uma ovelha que estava sendo chamada a ser pastor, pois quem busca a verdade está preparado para vivê-la. Nossos espíritos têm sede de amor, justiça, etc., ou seja, gostamos de receber. Mas quando é hora de agir, como o fazemos? Julgamos ou nos calamos? Temos compaixão? Como diz Rubem Alves, “A solidariedade é quando eu olho para o meu irmão e o sentimento do meu irmão passa a ser o meu sentimento [...].” Portanto, que tenhamos coragem de olhar para dentro de nós mesmos e nos questionar se amamos Jesus. Que Ele seja nosso guia, mestre.

 

Jesus, tu és o senhor da luz, ajuda-nos a compreender a Tua verdade e a compreender o divino em todos os aspectos de nossa vida.

 

Com amor e compaixão, estas foram as palavras do irmão Eric Wagner: “Que o Cristo possa na sua imensidade de amor enviar os seus benfeitores espirituais a nós, espíritos desencarnados e encarnados, e os recursos necessários à nossa transformação íntima, capitaneados por nosso instrutor irmão Glacus, para vivenciarmos a nossa legítima Fraternidade Espírita Irmão Glacus, da qual esta Fundação é uma extensão. A mudança do calendário terrestre, iniciando novo ano, nos favorece, apesar de sabermos que recomeçar é uma tarefa para todos os dias. Assim, iniciamos mais uma etapa da nossa reencarnação, os irmãos aí e nós, da nossa dimensão espiritual, buscando juntos a unidade que nos fortalece. O trabalho continuará valioso talismã a nos assistir nas nossas inquietações. [...] A Fraternidade Espírita Irmão Glacus nos proporciona recursos extraordinários para fazer essa viagem interior, mas precisamos amparar nossos irmãos do caminho, pois só assim nos apropriaremos das mensagens do Mestre Jesus, que seus mensageiros têm nos proporcionado. Não deixemos para amanhã o trabalho do presente. Não somos ainda espíritos com conquistas superiores, ainda trabalhadores invigilantes em alguns momentos, mas a misericórdia divina tem nos alertado constantemente acerca da importância do trabalho. Estamos nestes momentos de transição, não entendendo tudo de que realmente necessitamos. A abundância material não é para que acumulemos em benefício próprio, mas ferramenta indutora para que sejamos ativos, contribuindo para modificação do nosso semelhante. Esforcemo-nos sempre, mas sem perder a nossa individualidade, pois o livre-arbítrio nos pertence. Se tropeçamos, levantemos, nos recompondo e seguindo em frente. Nós, os amigos espirituais, estaremos a postos movimentando recursos. Muito podemos e iremos realizar. Somos lutadores há milênios, hoje nos candidatamos a sermos trabalhadores do Cristo, uma grande diferença no nosso processo evolutivo. Debrucem, pois, nas belezas que nosso querido Kardec nos deixou, para romper atavismos e permitir que sementes frutifiquem e possamos servir um pouco mais. Para tanto, precisamos estar compromissados conosco mesmos se queremos estar compromissados com Jesus. O caminho é este: de dentro para fora. Assim viveremos a legítima fraternidade espírita.”

 

Como que dando continuidade à linha de raciocínio do irmão Eric Wagner, o irmão Glacus nos convidou a olhar para nós mesmos, mas sem deixar de olhar pelo nosso semelhante. Muitas vezes nos sacrificamos, disse ele, “mas é assim mesmo, pois não é buscando subterfúgios e justificativas que rompemos com reencarnações reparadoras e dolorosas. Temos nesta reencarnação condições diferenciadas em função de nossa vontade; já não buscamos na espada a solução. Estamos reunidos numa Casa de amor, buscando compreensão para nossos sentimentos e emoções. Viemos em busca desse convívio fraterno. Nós também, pois nos tornamos irmãos na plenitude da palavra. Já não conseguiremos avançar se nossos irmãos não estiverem a caminho. Jesus nos dá oportunidades com a família, os amigos, para que possamos vivenciar o que precisamos. A nossa fraternidade espírita é isto: pessoas em movimento, dispostas ao sacrifício, não no sentido de abandonar o lar, mas de se permitir vivenciar novos valores, sentindo o que Kardec nos deixou. O espiritismo e a nossa Casa são fruto do trabalho de muitos irmãos, e podemos nos considerar parte disso. O ano se inicia, e nesse propósito estaremos juntos conhecendo nós mesmos [...]. Que Jesus possa em sua infinita misericórdia nos acolher e nos dar esta oportunidade.”

 

O irmão Palminha iniciou fazendo uma reflexão acerca da necessidade de dar continuidade ao que já desempenhávamos no ano que terminou: “A novidade é [sempre] o trabalho, precisamos cada vez mais de operários, no sentido de movimento, a nossa Casa sempre precisa de mais um.” Ele destacou a importância da presença nas reuniões públicas, mas acrescentou: “façamos um pouco mais, encontrem as tarefas com as quais vocês possuem afinidades, conheçam gente nova, reencontrem amigos e até encontrem sua ‘alma gêmea’. Não sabemos quando nos perguntarão ‘O que fizeram dos talentos que recebestes?’, então não desperdicem os dons, não fiquem de mãos vazias. É no ambiente das reuniões de convívio espiritual que conseguimos a sintonia com os irmãos, por isso é importante que dirigentes e tarefeiros estejam presentes. É importante para aqueles que ainda não estão em condições plenas, mas que nesses momentos se refazem na peleja do reequilíbrio. Por isso, chamem todos em nome do Palminha. [...] Nós, os espíritos, estamos felizes, sabemos das dificuldades, mas podemos realizar mais do que está programado. Muitas provas fazem parte, mas não necessariamente precisamos da dor, por isso temos o trabalho. Se continuarmos com essa postura, muito avançaremos. Assim como disse o Eric Wagner, que é um espírito culto, lapidado há muitos séculos na Germânia como militar, um verdadeiro general do amor. Não tem muito tempo que ele começou a trabalhar, mas com sua postura, avançou anos-luz. E nós estamos no seu rastro. Ele é contido, mas muito alegre, e tem arregimentado muitos espíritos que ele liderou em algumas existências.”

 

“Que o Mestre Jesus continue envolvendo a todos em nossa Fraternidade e nossa Fundação”, assim começou a irmã Meimei, com sua maneira amorosa de falar. “Estive observando vocês enquanto aguardavam e, observando os rostos, auscultei os corações e muito me emocionei, porque, percebendo na grande maioria esperanças, notei que vocês vêm a este encontro com muita esperança e, ao chegarmos aqui, rogamos ao Cristo disposição, com muita alegria, otimismo, em todo o tempo, mas principalmente neste início de ano. [...] O trabalho foi citado muitas vezes, mas nem sempre vocês compreendem o quanto ele é importante. Fazer o bem é algo de positivo que vocês colocam na bagagem, que vai acompanhá-los para sempre.” Ao falar do trabalho, a irmã deu um importante ensinamento acerca da dor e do sofrimento, explicando que, ao invés de pedir a Jesus para nos poupar, devemos rogar que nos ajude a beber esse cálice com paciência, questionando: “O que a vida está querendo me ensinar? Aprendam com essa experiência para não ter que repetir. Peçam paciência e não vejam como dor, mas como remédio. Olhando pelo lado espiritual, fica mais fácil entender. Precisamos aprender a viver com mais otimismo, mais alegria. Se a fila da reencarnação é longa, por que não aproveitar [essa reencarnação]? No primeiro obstáculo vocês querem pular, ou até voltar para o plano espiritual. E aí, vocês vão para o final da fila e pode demorar. [...] Se estamos num planeta de provas, não vamos nos comportar como se estivéssemos de férias. E tem coisas bonitas nesse planeta, muito lazer sadio. Vamos aproveitar as energias renovadas do início do ano. Li outro dia uma matéria que fala sobre esse ‘planejamento do ano’. Então vamos, toda manhã, pedir ao Mestre Jesus bênçãos para que possamos entender todas as oportunidades. Ao longo do dia, vamos lembrar disso e, ao nos deitar, vamos reler e refletir sobre o dia que passou. Por exemplo, se quando chego no meu trabalho e dou bom dia para os meus colegas, se algum deles não me é receptivo, eu devo continuar com a minha vibração, não posso mudar meu humor em função da reação dos outros. Ou, no decorrer do meu dia, se fui ríspido com alguém, devo refletir antes de tudo a respeito do trabalho que terei para me desculpar com a pessoa... E assim, de ponto em ponto, podemos analisar tudo o que fizemos para no dia seguinte fazer melhor. Não precisa de coisas grandiosas, podemos começar pelas pequenas. Este encontro é um grande banquete de amor: cada um de vocês tem parentes que o ama, e aqueles que não podem vir estão assistindo de um telão no plano espiritual. Vocês vão sair daqui mais leves, mais alegres, e no lar é onde podemos exercitar a paciência, a tolerância, para depois sermos capazes de expandir. Vamos nos esforçar para unir nossos corações com os deles, para compartilhar com eles tudo o que recebemos. Vejo no coração de vocês as alegrias, o quanto de amor o Mestre nazareno nos proporciona. Que vocês sejam instrumento, cada vez mais fiel aos desígnios de Jesus. Não se esqueçam que Jesus é o nosso pastor.”

 

A mensagem do irmão Pedro de Camargo foi breve: “O amor de Cristo nos uniu como pérolas em cordões de esperança. Aproveito esta oportunidade para falar direto ao coração dor irmãos sobre o quanto tenho aprendido a amar. Estaremos sempre ombro a ombro, lado a lado.”

 

Com muita alegria em estar presente na reunião, o irmão Jacques Aboab disse: “Peço por todos vocês, que continuem na tarefa, no amor ao próximo, na dedicação, só assim elevamos nossos espíritos. Ele pede pouco de nós. ‘Amai ao próximo como a ti mesmo.’ Isso é muito para nós? Vamos refletir sobre isso. Vamos em frente, unidos, caminhando sempre no Evangelho, para que possamos nos sentir unidos ao Cristo.”

 

O irmão José Grosso ressaltou a importância da reunião de convívio para o plano espiritual: “Nós ficamos ansiosos para encontrar com vocês, então imaginem os seus familiares! Quando termina a reunião, programamos a próxima. Tem muitos parentes que voltam chorando de emoção. Tenho pedido sempre a Jesus para dar mais e mais forças para ajudar vocês. Às vezes não encontro corações abertos, por causa das angústias. Eu também estive aí, fui amparado. Jesus é o nosso irmão do amor. Por isso, peço a todos vocês que compreendam os irmãos da caminhada, não julguem para não serem julgados, respeitem, amem. Por isso, a Fundação e a Fraternidade precisam de todos vocês. Peço que façam uma reflexão sobre as minhas palavras. O meu espírito e o de Glacus desejam o melhor para vocês. Na hora da aflição, estarei a postos; façam uma prece a Nosso Senhor Jesus Cristo, que vocês sentirão a nossa presença de amor e aconchego. Por isso, peço a vocês que amem a nossa Fundação e a nossa Fraternidade. Fizemos o alicerce, porque é a casa do amor, do socorro. Nenhum é melhor que o outro, todos são iguais perante a lei divina. Às vezes adquirimos cargos e nos envaidecemos. Aí que está a queda. É preciso administrar, mas com amor, fraternidade e trabalho. Estamos estudando, e vocês podem compreender que as nossas palavras se modificaram. Por isso, vocês também precisam estudar.” E, assim, ele se despediu cumprimentando os tarefeiros do coral e os paizinhos e as mãezinhas.

 

Colaboração: Márcia Romano