REUNIÃO DE CONVÍVIO ESPIRITUAL - 3o. DOMINGO DE OUTUBRO

Na tarde tranquila de 17 de outubro de 2010, quem passava pelos jardins da Fundação Espírita Irmão Glacus já podia sentir as vibrações de amor que a envolviam, e assim começar a aquietar a mente e o coração. Mesa enfeitada com flores amarelas e brancas, passarinhos acompanhando o coral: começava a reunião de convívio espiritual do mês de outubro da Fraternidade Espírita Irmão Glacus. As reuniões são sempre realizadas no terceiro domingo de cada mês, ora na sede da Fraternidade, ora na sede da Fundação.

O estudo de abertura tratou de um fato memorável ocorrido em Cafarnaum. No tempo de Jesus, esta cidade era sede de intenso comércio, sendo freqüentemente visitada por mercadores. O Mestre, em algumas de suas viagens, escolhia aquela região para descansar. Na casa de Simão Pedro, apóstolo escolhido como pedra angular do cristianismo, Ele repousava. Quando souberam da estada de Jesus no local, inúmeras pessoas lá se ajuntaram para buscar consolo e auxílio. Simão Pedro observava o Mestre, sentado em um banco de palha trespassada, recebendo um por um, durante todo o dia. Simão se sentia feliz por ter Jesus em sua casa e por ver as pessoas chegando tristes, enfermas, e saindo curadas e contentes. No fim do dia, Jesus parecia exaurido. Então, Simão anunciou que o atendimento havia se encerrado, e em seguida, levou o Mestre até a praia, para que Ele pudesse absorver da natureza o necessário para o refazimento de suas energias. A noite caía. Sentado ao lado de Jesus, Simão percebeu que Ele chorava e perguntou: “Tu choras, Mestre? Tu deves estar chorando de felicidade, pois hoje o dia foi tão proveitoso [...]. Vi criaturas que ali adentraram e saíram felizes...” Jesus, então, respondeu: “Meu filho, eu estou chorando, mas não é de felicidade. Estou chorando de compaixão pelas criaturas que ainda não compreenderam meus ensinamentos.” Ele narrou ao apóstolo a história de Natanael Ben Elias, um paralítico que, na busca pela cura de sua enfermidade, quando soube que ali se encontrava o meigo rabi, que era médico de homens e de almas, pediu aos amigos que o levassem até Ele. Após ser curado, Natanael foi comemorar sua cura junto a amigos e prostitutas, regados a bebida e envolvidos pelo sentimento de luxúria. “Simão, a felicidade não é desse mundo”, disse Jesus, refletindo a respeito da cura que Ele havia operado e da atitude do enfermo. Simão Pedro começou a chorar e se pôs a meditar junto ao Mestre.

 

Todos nós, encarnados nesse planeta de provas e expiações, passamos por dores, a que chamamos de sofrimento, para o qual recebemos sempre o amparo divino. Para muitas das criaturas que Jesus curava, Ele tinha a oportunidade de asseverar: “Vá e não peques mais.” A essência desse acontecimento é que a cura deve ser interior, pois se esta não ocorrer, a enfermidade que está no espírito acabará sempre extravasando para o corpo físico. Na obra O céu e o inferno, Alan Kardec trata de três conceitos para a cura: a fé, o merecimento e a vontade. Conforme explica a pedagoga espírita Rita Foelker, crer é diferente de saber, pois crer é algo transitório, muda com o contexto, mas saber está intrínseco, não sujeito a abalos; assim, ter fé é saber. O merecimento depende da situação do espírito, pois há ocasiões em que a enfermidade ainda é bênção, oportunidade de crescimento. A vontade pressupõe dar o primeiro passo, pois quando estendemos a mão, há sempre uma mão já estendida para nos ajudar. Deus sempre está conosco; muitas vezes nós é que não estamos com Ele.

Nesta tarde de convívio espiritual, cada um dos presentes receberá na medida de sua necessidade e de seu merecimento. Que possamos ter a clareza e a aceitação de tudo o que nos sucede, para que não nos revoltemos contra os desígnios divinos, e possamos caminhar rumo à luz.

 

Com sua forma serena de falar, o irmão Eric Wagner deixou a seguinte mensagem: “Continuem perseverantes nos propósitos [da Fraternidade], não percamos as condições adequadas à nossa reforma interior. Nós, amigos espirituais, estaremos sempre buscando dar a nossa contribuição. Para tanto, será necessário que os irmãos se reúnam para tratar dos assuntos relativos à nossa Fraternidade nas dependências desta, sempre regados de prece, para que estejamos em sintonia e possamos dar a nossa contribuição. A nossa obra ainda não está concluída, ainda há muito a realizar. Estamos contentes em nos reunir e confiantes que os irmãos vão sempre estar [aqui reunidos]. Estejam sempre presentes às suas tarefas; vençam os desafios naturais, mentais, psicológicos, não se permitam desistir da sua tarefa, e saibam que podem solicitar apoio quando necessário. [...] Este é o propósito de Jesus: aprender a servir.

 

“Que a paz do Cristo continue dulcificando nossos corações, e juntos possamos caminhar”, assim iniciou nosso irmão Glacus. E ele continuou: “A nossa Fraternidade Espírita Irmão Glacus, com seus vários departamentos, tem belas conquistas espirituais, e elas só foram possíveis porque a maioria de nós continua se sacrificando em benefício dela. Sacrificar-se não é abandonar as obrigações, mas vencer o homem velho e buscar o homem novo que habita em nós, tendo como modelo o Mestre Jesus. Vençamos as intempéries. Todos são importantes na obra de Jesus; todos os irmãos têm seu valor para nós, os espíritos, que, no momento, estamos incumbidos de transformar a nossa Fraternidade em celeiro de amor. A nossa oportunidade, nesta reencarnação, é romper séculos e séculos [de atitudes distantes da luz]. Reúnam-se cada vez mais, com amor, respeitem-se sempre. Muito realizaremos, pois se os irmãos não tivessem dado a sua contribuição, esse ambiente não seria possível. Precisamos que os irmãos estejam presentes, pois é a redenção dos nossos espíritos. Continuem estudando, a fim de contemplar as belezas do nosso universo, que o Evangelho nos traz. [...] Recebam a nossa gratidão por tudo que já realizamos e ainda iremos realizar.”

 

Com a alegria que lhe é particular, o irmão Palminha nos convidou a refletir: “A nossa hora não nos pertence. [...] Se os fluidos estão acabando, a gente corre nos amigos espirituais e pede mais um pouquinho. Se em outras encarnações, a gente deixava pra próxima, neste a gente já resolve, com jeitinho, porque, assim, na nossa próxima reencarnação, não vai ter tanta expiação, só prova, e prova é só trabalhar. Problemas são oportunidades para refletirmos e buscarmos a felicidade, que muitas vezes está em trabalhar com nosso semelhante, nesta colméia, que é a nossa Fraternidade, que permite que os irmãos trabalhem junto com nós, os espíritos. [...] Contribuimos para que os irmãos fiquem mais um pouco, nessa peleja gostosa, pois a separação, seja como for, é sempre saudosa. Estamos como sempre contentes com a disciplina e a intensidade do sentimento colocado na musicalidade que contribui efetivamente, pois muitos de nós chegaram aqui atribulados e puderam se equilibrar, pois a música, pelo sentimento de que é imbuída, age em cada corpo, dulcificando os corações. Estou aqui na minha tarefa, trabalhando, com a ajuda da irmã Sheila, que, doando um pouco do seu coração [...], me ajudou a ganhar essa família de Glacus. O que pedimos com sinceridade ao criador é revertido em misericórdia. Não somos espíritos luminosos, somos trabalhadores fora do corpo físico e valorizamos muito o que aprendemos e, pela mediunidade com Jesus, podemos transmitir nossas palavras. [...] É muita gente maravilhosa que está ligada a nós, e, no plano espiritual, somos muitos na Casa de Glacus, pois, se assim não fosse, não daríamos conta. Começamos pequenos, crescemos, mas ainda somos pequenos, mas estamos reunidos, recebendo as benesses dos nossos instrutores espirituais. Aos nossos irmãos, que nesta tarde vem buscar consolo dos ausentes, busquem paulatinamente o alívio para a dor da ausência, para que em breve possam se reunir aos seus afetos. [...] Aos que já estão em harmonia, que aumentem essa harmonia; para quem está em desequilíbrio, que busque sua paz.”

Com sua risada sempre descontraída, o irmão José Grosso também pôde contribuir. “É muito trabalho, mas cada um com seu peso. Jesus compreende e vai dando peso devagarzinho, até chegar ao que cada um é capaz”, disse ele. O irmão explicou que a lei da reencarnação é importante para entender esse ensinamento e que Jesus nosso Mestre e divino amigo nos acompanha sempre, nos fortalecendo. E prosseguiu: “Meus muito caros e dedicados irmãos, perseverem sempre, com entendimento, respeito ao próximo, amor no coração, pois todos vocês são a família do nosso Glacus, a família da Fraternidade e da Fundação Espírita Irmão Glacus. Esqueçam as ofensas, pois todos nós estamos no mesmo barco. Para nós, todos vocês são iguais, desde o que limpa o salão, até os dirigentes; o que vale é o amor, a dedicação, a responsabilidade. Quando fazemos a tarefa com amor, tudo sai bem. Nós, que temos a visão ampla, ficamos felizes, e os parentes de vocês, muitas vezes, pedem para ir ao convívio espiritual. Façam uma prece e sentirão: eles estão aí; é tudo preparado. Não existe morte, é só uma passagem. Não podemos julgar ninguém para não sermos julgados. [...] A cada dia, peçamos a Jesus que nos fortaleça no caminho, pois é assim que chegaremos. Ele demonstrou seu amor a todos. Estaremos a postos, ajudando e intuindo a todos. Dediquem-ser à nossa Fraternidade e à Fundação com muito amor, ela é a Casa de todos vocês. É difícil dizer da dimensão do plano da vida, é maravilhosa a criação, ficamos daqui admirando como é bela a Terra. Mãezinhas e paizinhos que trouxeram nossos pimpolhos, cuidem muito bem deles, porque o José Grosso cuida deles....”

 

“São muitas as moradas de meu pai”, disse a irmã Ângela  ao final da reunião de convívio espiritual, e descreveu o que vislumbrara naquela tarde: inúmeros espíritos de linha oriental adentraram o salão enquanto a reunião transcorria, sentaram-se nos corredores, entre as cadeiras, formando duas filas organizadas, configurando um cenário de paz e generosidade. Eles emitiram fluidos de amor, que beneficiaram todos os presentes. Outro fato foi a presença de uma jovem, que desencarnara recentemente, aos 26 anos de idade. Ao longo da semana, a espiritualidade intuira a família dela, para que estivesse presentes no dia da reunião, mas não foi possível. A moça ansiara muito por aquele encontro e se mostrava inconsolável pela não realização deste. Além dela, muitos outros parentes desencarnados estiveram presentes e, quem pôde, sentiu a sua presença de amor, atuando como bálsamo para o sentimento de saudade que há entre o ente encarnado e o desencarnado.