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Homossexualidade e Espiritismo : Uma Reflexão

pensar

 

O escritor espírita Hermínio Corrêa Miranda nos diz que "às vezes ficamos a desejar que os espíritos tivessem sido mais explícitos, ampliando suas exposições, especialmente em assuntos mais complexos e obscuros ao nosso entendimento". Homossexualidade é um desses assuntos.

No afã de avançar considerações a respeito do tema, não raras vezes lemos autores bem intencionados interpretando os ensinamentos dos Espíritos Superiores de acordo com a conveniência. Tanto isso ocorre para a crítica negativa quanto para fazer luz em relação à homossexualidade.

 

 Segundo esclarecem os Espíritos Superiores, o espírito não possui sexo. Pelo menos não como entendemos (é o que respondem no item 200 de O Livro dos Espíritos). E afirma Kardec em outro ponto: "(...) os sexos só existem no organismo. São necessários à reprodução dos seres materiais. Mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão por que os sexos seriam inúteis no mundo espiritual." (Revista Espírita, junho de 1862)
Para que a evolução e o desenvolvimento do Espírito ocorram em plenitude, necessário se faz que o espírito tenha experiências reencarnando ora no sexo feminino, ora no sexo masculino.

As experiências vividas durante longo tempo em um corpo masculino ou feminino podem explicar (mas não se limitam apenas a esse entendimento) o que alguns pesquisadores têm encontrado: homens com lado feminino e mulheres com lado masculino mais aflorado. Quando citamos "lados aflorados" dizemos no sentido da sensibilidade. O Espírito no corpo feminino é preparado para a missão mais sublime que é a maternidade. A conformação do corpo físico é o reflexo da necessidade do espírito para conseguir sentir e perceber a grandeza desta missão (ser mãe). O mesmo espírito que um dia foi um pai de família retorna em outra existência com a missão de ser mãe. As experiências ficam registradas no psiquismo.

Quer dizer então que o homossexual é aquele que durante muitas encarnações optou por um gênero e ao reencarnar em outro ele ainda traz as tendências das experiências vividas no outro sexo? Não é só essa a definição. Aliás, a definição está "em construção". Nenhum estudo é conclusivo quanto ao homossexualismo. Conclui-se, na literatura examinada, que existe muito preconceito, inclusive na literatura espírita. No caso das reencarnações, estas explicariam em parte aquilo que seriam os conflitos vivenciados por alguns diante do contexto da homossexualidade, no entanto nem todos têm conflito.

O Espiritismo não trata quem quer que seja com preconceito. Pelo contrário: existe ainda preconceito com relação ao Espiritismo e cabe aos profitentes esclarecer à medida do possível e com bom senso.

Pesquisas realizadas pelo Dr. Jorge Andrea (autor do livro Forças sexuais da alma, editado pela FEB) apontam que todo humano traz energias sexuais masculinas e femininas em sua intimidade. Nesse sentido ainda encontramos Emmanuel discorrendo sobre a bissexualidade em Vida e sexo: "A vida espiritual pura e simples se rege por afinidades eletivas essenciais; no entanto, através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas. O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificações psicológicas absolutas."
Andrei Moreira, em seu recente livro Homossexualidade sob a ótica do espírito imortal, encontrou na literatura espírita cinco possíveis motivadores para explicar essa experiência evolutiva (homossexualidade):

1) consequência natural do reflexo mental e emocional na vivência no mesmo sexo por muitas encarnações;

2) condição facilitadora da execução da missão espiritual;

3) situação provacional e expiacional decorrente do abuso das faculdades genésicas e do sentimento alheio;

4) reflexo mental condicionado decorrente de situações obsessivas;

5) condição reativa decorrente de processo educacional atual e/ou de traumas infantoadolescentes.

O preconceito em torno do tema ainda é o mais delicado.
O que fazemos com as forças sexuais da alma pode nos libertar ou aprisionar. Para nos libertar é necessário educação e disciplina ao entender os impulsos, tendências e desejos. O aprisionamento é fruto do uso desregrado dessas forças acarretando compromissos afetivos que podem durar muitas reencarnações. Istso ocorre independentemente da opção afetivo-sexual.

Em capítulo dedicado à "Lei de Reprodução" em O Livro dos Espíritos, os Espíritos Superiores respondem a Allan Kardec sobre diversos temas. Falam sobre a população do globo, sucessão e aperfeiçoamento das raças, obstáculos à reprodução, casamento e celibato, poligamia. No entanto, nas obras de Kardec não há capítulo específico falando sobre o tema homossexualidade.

Ainda assim, o que encontramos na literatura espírita é suficiente para inferirmos que o assunto ainda apresentará novos conceitos e contornos que gravitarão sobre a mesma problemática: esclarecer para se respeitar. Nesse esforço de tentar esclarecer novas polêmicas serão formadas e a chance de novas definições também. Ressaltamos que as discussões de "ideias" são sempre válidas.

Vivemos em sociedade com o objetivo de evoluir. Allan Kardec comenta no item 768 de O Livro dos Espíritos: "Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às outras se completam, para lhe assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não insulados." Em outras palavras: não somos donos da verdade. Temos a oportunidade pelo estudo e o conhecimento doutrinário de obtermos respostas a muitos questionamentos. Precisamos fazer as perguntas certas...
Tratemos todo assunto com o respeito que merece. Nem mais, nem menos.

Aos espíritas cabe ainda outra reflexão: lidemos com as diferenças de opinião com serenidade, sabedoria e o coração voltado para o Mais Alto. Preparemo-nos ainda mais para compreendermos, aprimorando o dom de ouvir, e permitamos que haja espontaneidade da parte daqueles que nos procuram, seja no atendimento fraterno ou nos corredores das casas espíritas. Que a fraternidade nos embale!

Caminhemos sem fechar questão, abertos ao aprendizado, mas com a certeza comum de que, em se tratando de sexo, o entendimento, o domínio das emoções e o esclarecimento formam forças poderosas em favor de todos.

Vladimir Alexei