A
amizade converge de pontos afins, onde os corações se unem
em plena fraternidade. A afeição mútua é garantia
para o amor e o desencanto dos sentimentos é falta de
Cristo no coração.
A presença de
Jesus altera todo ambiente em dissonância, mudando-o para a
cordialidade e o afeto passa a ser a atmosfera comum entre as
criaturas. Pressupõe o homem ignorante que aquilo ou aquele
que o desagrada deve-se esquecer, senão desprezar, maltratar
e perseguir.
Entrementes, a
filosofia do Evangelho afirma o contrário: que devemos sempre
nos unir e que o amor deve surgir em tudo e em todas as almas,
pois para isto fomos criados. O poder da amizade nos leva a
crer na felicidade e a esperança nos estimula para as
grandes realizações. O agrado de uns para com os outros faz
clarear a inteligência, sem subestimar os ideais dos
sentimentos elevados.
Cada passo que
dermos, no caminho do bem, para granjear amizades, é luz que
acendemos em nossa subida para a libertação espiritual.
A atração
entre as pessoas tem muito a ver com a presença do amor.
Carinho é coisa muito séria. Logo que o recebemos ou doamos,
reconhecemos a manifestação do amor que somente existe com
abundância nos planos maiores da vida. Ele, na Terra, pode parecer,
por vezes, envolvido em fortes interesses físicos, ou
exigindo permutas inconfessáveis. No entanto, traz no
seu coração, se assim podemos dizer, uma luz imortal, que no
amanhã brilhará qual as estrelas, na harmonia divina. Nada
se perde, tornamos a dizer. Tudo que plantamos nasce e torna a
nascer por mil meios, na multiplicação da vida, em busca do
esplendor de Deus.
Não pode
existir vida sem convivência, sem aconchego na exuberância
da fraternidade. Não pode existir saúde sem a força
poderosa da amizade. Ela é que nos oferta o leito para
recuperarmos nossas forças quando fracos; nos dá o alimento,
quando temos fome; nos fornece agasalho, quando nus; nos
oferece água, quando sedentos; nos traz o remédio, quando
enfermos; nos manifesta a alegria, quando tristes; nos dispõe
à companhia, quando solitários.
A amizade é que
nos dá coragem para viver, diante de todos os problemas e
infortúnios. Se é esta norma de vida a melhor, granjeemos
amigos, nos adverte Pedro, o apóstolo, e, para tanto, é
indispensável que surja no coração o amor e que a harmonia
se estenda entre os homens.
Porém, toda
intimidade requer vigilância, para que ela possa durar, afeiçoando-se
com a eternidade. Toda inimizade desconhece o valor do bom
comportamento e, se vivemos discutindo, separando-nos dos
nossos semelhantes, dando asas à maledicência e fomentando a
discórdia, nunca teremos sáude.
Sáude
é harmonia em tudo o que pensamos e fazemos. Se estamos
alimentando o ódio contra os nossos companheiros, dá-se uma
disfunção em todos os nossos corpos, levando-nos à
enfermidade, enquanto durar a nossa ignorância.
Jesus nos induz,
a cada segundo, para a conjunção dos nossos ideais na amplitude
de todos os nossos sentimentos, para a grandeza da amizade.
Sê amigo de
tudo e de todas as criaturas, que a saúde
surgirá em teus caminhos, como luz do sol a te alegrar.
Cada
passo que dermos, no caminho do bem, para granjear
amizades, é luz que acendemos em nossa subida para a libertação
espiritual.