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BILHETE DO CORAÇÃO  
 
Hoje compreendo que os golpes do mundo são amparo providencial às nossas necessidades de reparação.
 
Que seria de nós sem o sofrimento que nos ajuda a retificar e aprender?  
Terra sem arado, permaneceríamos entre os vermes e as plantas daninhas ou, pedra bruta, jamais nos transformaríamos na obra de utilidade e beleza que o buril deve realizar.  
Tenhamos calma e paciência.  
 
Devemos à enxada a alegria da mesa farta e, por vezes, ao remédio amargo, a felicidade da cura.  
Um dia saberemos tudo.  
Por agora, baste-nos a convicção de que nos compete trabalhar, incessantemente, para o bem, porquanto a chave do serviço nos descerrará a sublimidade da experiência e com a experiência elevada marcharemos para a comunhão com Deus.  
Não nos cansemos de ajudar.  
O auxílio aos outros tem uma força desconhecida em nosso favor.  
Quem tudo dá, tudo recebe.  
Quem se afasta da ilusão, aproxima-se da verdade, adquirindo a companhia da humildade e do amor, os dois anjos invisíveis que abrem as portas do Céu.  
Cultivando a serenidade e o bem, no círculo de nossa luta, roguemos, pois, ao Senhor ilumine a nossa cruz.  
 
Agar  
(De “Cartas do coração”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos)