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Jornal Evangelho e Ação

 
ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DA FRATERNIDADE ESPÍRITA IRMÃO GLACUS
- FUNDADO EM ABRIL DE 1988

Edição 191 / janeiro de 2008


 

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Jacob Melo

     Entrevista:

Jacob Melo

Foi com alegria que a equipe do jornal Evangelho e Ação entrevistou o nosso querido companheiro da Seara Espírita: Jacob Luiz de Melo.

Jacob nasceu em um lar espírita, de forma que participou no período da infância da Evangelização Infantil, depois da juventude espírita, para mais tarde assumir a direção do movimento junto à Federação Espírita do Rio Grande do Norte, onde ocupou quase todos os cargos.

Atualmente, ele é Vice-Presidente do Lar Espírita Alvorada Nova – LEAN, em Parnamirim, município ligado a Natal, instituição que abriga idosos carentes e tem um setor de evangelização muito ativo (mais de 300 crianças), além de um centro de atendimento magnético, onde realiza aprofundamento e pesquisas sobre o magnetismo.

Ele já esteve por diversas vezes em nossa Instituição e podemos dizer sem sombra de dúvida que hoje ele é um dos maiores estudiosos do passe no Brasil.

Autor de vários livros, o nosso querido Jacob se dispôs prontamente a responder a algumas perguntas relacionadas ao passe; tema de grande interesse para todos nós.

 

Jornal Evangelho e Ação (Jornal): A imposição de mãos é uma atividade milenar. O senhor poderia contar-nos em breves palavras, desde quando se tem notícia desta prática?

 Jacob Luiz de Melo (Jacob): Primeiro quero destacar que imposição de mãos é um termo genérico, o qual não traduz integralmente a prática magnética. Esta nasceu desde a mais remota cultura egípcia, teve um novo ápice histórico com Jesus e novamente ressurgiu com Mesmer, pouco antes do Espiritismo. Atualmente estamos lutando para fazer com que esse conhecimento seja melhor aproveitado pela humanidade.

 

Jornal: Jesus foi o médium de Deus. Têm-se notícias de outras pessoas (homens/mulheres) que através da imposição de mãos realizaram curas como Ele realizou? Quais foram estas pessoas, o senhor poderia citar alguns dando exemplos?

Jacob: A expressão “médium de Deus” deve ser entendida como uma ênfase e não como algo literal, pois Deus não usaria um médium, no sentido vulgar do termo.

Quanto às curas pelo magnetismo, são infinitos os exemplos ocorridos. Mesmer foi um dos mais notáveis magnetizadores que o mundo moderno conheceu, mas Allan Kardec, em sua Revista Espírita, anota vários casos de curas pela magnetização, como, por exemplo, da cura de uma fratura exposta por simples magnetismo espiritual.

 

Jornal: Hoje, no meio espírita, podemos dizer que o senhor é um dos grandes estudiosos do assunto, com vários livros publicados. Se a imposição de mãos já era um método utilizado milenarmente, para o qual não havia regras e nem padrões, pelo menos no que concerne a livros editados sobre o assunto, por que hoje o passe espírita necessita ter tantos quesitos e requisitos para ser realizado?

 Jacob: É compreensível que, em determinadas épocas e lugares, as coisas ocorram de forma empírica, mas desde Mesmer o Magnetismo tem sido apresentado como uma ciência e, como tal, requer estudo, consciência e prática. Os espíritas têm sido muito acomodados nesse terreno, quase sempre limitados ao “ouvi dizer” ou “sempre foi assim”. Isto, inclusive, não combina com o que tanto defendemos quando afirmamos que o Espiritismo é uma ciência com implicações filosóficas e conseqüências morais religiosas. Querer que o passe seja apenas e tão-somente imposição de mãos é reduzir, perigosamente, a essência de uma ciência, a qual, conforme anotado no comentário de Allan Kardec à pergunta nº 555 de O Livro dos Espíritos, é, “a bem dizer”, uma única e só ciência, ou seja, Espiritismo e magnetismo são a mesma coisa. Creio que já estejamos passando do tempo de refletir sobre essas verdades. A propósito, meu próximo livro, a sair dentro de 2 meses, abordará exclusivamente a visão de Allan Kardec acerca do magnetismo, o que surpreenderá muito aos que estão por demais passivos na área do estudo da obra básica e do mestre lionês.

 

Jornal: Quais são os principais tipos de passe e para que serve cada um deles?

Jacob: Dependendo do que se deseje entender, existem 3 tipos de passes: espiritual, humano e misto. Em tese, eles servem para quase tudo, desde que usados convenientemente. A questão é: como dar uso conveniente se não sabemos como usar? Indispensável, pois, o estudo.

 

Jornal: Aquela criatura que deseja trabalhar na seara espírita como médium passista o que deverá possuir como pré-requisito? E qual deve ser depois o seu comportamento?

 Jacob: Todo aquele que queira evitar os percalços naturais da prática, inicie-se pelo estudo prévio da teoria. Eis aí a recomendação básica de Allan Kardec. Além do estudo, muita VONTADE – e não apenas boa vontade –, um comportamento ético-moral de equilíbrio e acendrado desejo de fazer o bem.

 

Jornal: Qual é a mensagem que o senhor gostaria de deixar para todos os leitores do nosso jornal Evangelho e Ação?

 Jacob: “Para que sejamos úteis de verdade, o ideal é servirmos com sabedoria – e sabedoria é a união do saber com o amor. Sejamos sábios!”

Wellerson Santos