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Jornal Evangelho e Ação

 
ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DA FRATERNIDADE ESPÍRITA IRMÃO GLACUS
- FUNDADO EM ABRIL DE 1988

 


 

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Ênio Wendling

     Entrevista:

Ênio Wendling

(Primeira parte)

Foi com imensa alegria que a equipe do jornal Evangelho e Ação, no dia 02 de dezembro de 2007 entrevistou o nosso irmão Ênio Wendling. O senhor Ênio é uma figura marcante no Movimento Espírita Mineiro. Trabalhou e trabalha na causa espírita doando de si mesmo em favor desta doutrina consoladora. Médium ostensivo desde a sua infância tem como mentor o nosso querido Irmão Glacus. Esta entrevista por conter informações valiosíssimas será dividida em duas partes. Esta primeira parte que fala sobre a nossa Fraternidade e os trabalhos mediúnicos desenvolvidos por ele. E uma segunda parte que fala a respeito do nosso Mentor que será publicada posteriormente.

Jornal Evangelho e Ação (Jornal): O senhor teve uma grande importância no Movimento Espírita Mineiro e quiçá no Movimento Espírita Brasileiro, principalmente no que diz respeito a contribuição dada no campo mediúnico, nas reuniões de materialização, acontecidas a partir da década de 50. Gostaria que o senhor nos relatasse como foi a sua primeira reunião de materialização. Como tudo ocorreu?

Ênio Wendling (Ênio): “Quando eu estava com 17 anos de idade eu readentrei o Centro Espírita Oriente e o fiz porque estava muito doente. Já havia feito algumas  cirurgias, deslocamento do pulmão, cauterizei  uma artéria que ia arrebentar. Certo dia eu estava assentado à mesa em minha residência, nesta época eu morava na Avenida do Contorno 2037. Eram 18 horas e eu ouvia a Ave Maria pelo Júlio Lousada na Rádio Tupi. Estava tomando um prato de sopa e quando eu olho para o prato, a sopa estava mexendo e virou um rosto. Lá de dentro saiu uma voz que dizia assim: ‘Vá a reunião.’ Por ordens médicas eu deveria ficar em casa. Já eram 18 horas, conforme eu disse, eu não podia tomar sereno. Então eu chamei Maria José que me criou, Eugênia, Catarina e Regina para verem o que estava acontecendo. E elas não viram nada, apenas viram que a sopa estava se mexendo. E eu continuava a escutar a voz: ‘Vá a reunião.’ Olhei para a minha mãe e disse-lhe: ‘Mãe, a voz falou para eu ir lá no Centro Espírita Oriente, na reunião.’ Eu já havia freqüentado o Centro Espírita Oriente quando eu tinha 11 anos quando os fenômenos mediúnicos em minha casa se tornaram freqüentes. Desta forma, eu me agasalhei, estava muito calor, mas eram ordens médicas, e fui. Quando eu estava saindo, Eugênia falou: ‘Mariinha, desse jeito  ele morre.’ E ela respondeu: ‘Deixa o Eninho.’ Fui, entrei e sentei-me no último banco  do lado direito do salão, o lado dos homens. Aquele tempo, no Centro Espírita Oriente, os homens se assentavam do lado direito e as mulheres do lado esquerdo do salão. Sentei-me do lado de Pedro Ziviani. Na tribuna estava falando o jovem Ranieri, o professor Rubens Costa Romanelli também estava presente. À mesa estava ainda Pedro Machado psicografando. Quando terminou a reunião, eu falei com o Pedro Ziviani: ‘Aquele moço que estava falando, não falava sozinho, um espírito feminino falava por ele. Ela tem muito cabelo, partido ao meio, em trança. A roupa toda malhada.’ Quando terminei o relato, Pedro Ziviani disse-me que iria me apresentar ao Ranieri e ao Pedro Machado. E assim aconteceu. Quando fui apresentado ao Ranieri descrevi a ele tudo que tinha visto. E Ranieri, no seu jeito matuto de ser, disse: ‘Oh cabra, você é médium. Tem que ficar aqui.’ E eu disse: ‘Mas tem que mudar muita coisa aqui.’ Neste momento da conversa, o Ranieri tirou do paletó, eu também estava de paletó, porque naquele tempo os homens do Centro Espírita Oriente iam as reuniões à caráter, de terno e grava, e tirou um retrato. Quando eu vi, assustei-me, era ela, o espírito que eu havia visto anteriormente. E eu disse a ele que o nome dela era diferente. Fêmea. E ele sorriu e disse: ‘Fenárita, é o meu guia.’ Foi desta forma que eu fui convidado a ir até a casa do senhor Jair Soares. Era uma terça feira. Quando cheguei, ele mandou eu assentar-me numa poltrona que estava na sala da casa. O Levi, que era o cunhado dele, estava do outro lado da sala debaixo das escadas que subiam para o andar superior. Tratava-se de Levi Guerra e a irmã da dona Ló, Efigênia Sales que era um médium excelente. Eu logo percebi que ambos estavam educando a sua mediunidade. Quando a reunião começou eu dormi e sonhei que estava num lugar, em Constantinopla, hoje Istambul. Estava sob uma Cúpula Dourada e resolvi pular. Quando eu pulei da Cúpula eu errei o pulo e escorregue. Acordei na reunião. Quando eu acordei na reunião eu vi que os meus braços estavam imensos, uns dois metros, como uma massa de pão corrida. Como o ambiente estava escuro havia em meus braços uma certa claridade e eles estavam presos ao piano. Liepzi, o espírito, tocava a música Rapsódia Húngara, Número 3. O piano estava fechado. Eu estava assustado com tudo aquilo e Ranieri disse-me: ‘Fica quieto. Ênio, relaxa e pode dormir.’ E eu dormi de novo. Quando eu acordei eles me disseram: ‘Não pergunte nada.’ E esta foi a primeira reunião de materialização. Depois apareceu o Fábio Machado que materializava os espíritos, Peixotinho do Rio de Janeiro. Certo dia eu estava na casa de minha mãe quando me chamaram. Era terça feira, dia da minha reunião. Mandaram eu deitar na cama, eu deitei-me e quando começou a reunião eu escutei a voz do Irmão Glacus, já conhecida, dizendo-me: ‘O nosso irmão retraia-se porque os nossos irmãos Fábio e Peixotinho já estão na mediunidade latente de efeitos físicos desde a muito.’  Eu não entendi nada. Mas ouvi e me retraí. O Fábio brilhou durante nove meses e a casa do senhor Jair Soares ficou cheia de gente. Um dia eu vou a reunião, era terça feira, no meu dia. Eu, Levi, dona Zizi e quando eu cheguei lá estava cheio de gente. Foi quando me apresentaram uma lista de quem podia entrar na reunião e de quem tinha sido convidado pelo senhor Jair, pelo Peixotinho e pelo Fábio. Eu não estava na lista. O Ranieri abriu a bandeirola e disse-me: ‘Ênio, hoje você está de folga. Não precisa vir.’ Eu fiquei um pouco magoado e mandei chamar o senhor Jair e ele não veio. Então disse: ‘Diga ao senhor Jair que não vou voltar nunca mais nesta reunião.’ E eu fiquei dois meses sem ir. Um dia eu estava na Praça Santa Tereza, o Peixotinho já tinha ido para o Rio de Janeiro, quando bateram no meu ombro. A Igreja estava tocando a Ave Maria de Gounod. Eu procurei não vi ninguém. De repente bateu de novo, duas vezes no meu ombro. Eu olhei de novo, não vi ninguém, mas escutei uma voz que dizia assim: ‘Ênio, meu irmão, vá a reunião. Aqueles que foram assistir aquela reunião precisavam dela, mas nós precisaremos de você.’ E o que eu fiz? Fui depressa para a casa do senhor Jair. Quando eu cheguei lá, faltavam dois ou três minutos para a reunião começar, estava tudo pronto, as cortinas fechadas. Eu cheguei, bati e disse: ‘Jair.’ Ele disse: ‘Entra.’ Eu entrei. Ele voltou-se para dona Ló: ‘Ló, você arrumou a cama do Enio?’ Ela sorriu e disse: ‘A sua cama está pronto lá na cozinha.’ Na verdade, vim saber, mais tarde que a minha cama ficava sempre pronta. Estes momentos foram profundos e marcantes na minha vida. Foram as primeiras reuniões de materialização que participei.”

 

Jornal: Dentre as várias reuniões de materialização ocorridas na casa do Sr. Jair Soares talvez a que mais teve repercussão, inclusive no âmbito internacional, foi a cura de dona Ló. O senhor poderia nos relatar como foi todo este processo?

Ênio: “Fazem muitos anos mas eu me recordo. Dona Ló era muito magrinha, pálida. Pelos seus traços fisionômicos parecia ter sido uma jovem muito bonita. Certo dia, o Peixotinho chegou do Rio de Janeiro e foi bater à porta da casa do senhor Jair Soares. Foi num sábado, chovia muito. Foi convidado a entrar e na hora do lanche pôs-se a conversar com o Jair. E ele resolveu ficar afim de realizar uma reunião de materialização. Tivemos a reunião com o Jair, dona Ló, Peixotinho, dona Zizi, Efigênia, e eu. Ficamos no escritório do Jair, num corredozinho e Peixotinho debaixo das escadas, deitado. Quando Scheilla materiolizou-se. Uma luminosidade indescritível. Ela estava iluminada da cabeça aos pés. Cheia de luz. Ela pegou alguns lenços feitos com o ectoplasma, aproximou-se de dona Ló, e começou a colocar aqueles lenços espalhados por várias parte do seu corpo físico. E o mais interessante é que o corpo físico de dona Ló absorvia estes lenços. O Jair estava vendo, o Ranieri, todos que estavam presentes viam. Quando a reunião terminou Peixotinho disse: ‘Esta senhora está muito doente. Os espíritos pedem para eu ficar. Eu vou a Pedro Leopoldo e volto.’ Esta foi a primeira aplicação. Quando ele chegou de Pedro Leopoldo ocorreu a segunda aplicação. Na terceira não me deixaram entrar. Mas o fato é que dona Ló ficou totalmente curada e conviveu conosco mais 22 longos anos. O Jarbas me apresentou o médico que cuido da dona Ló. Ele era do Instituto que eu trabalhava. E foi ele mesmo, o médico, que falou de viva voz para nós no serviço: ‘A dona Elvira Soares, minha paciente, tinha vida para dois meses, dois meses e meio no máximo. E eu sei que está curada.’ Mais tarde teve problemas cardíacos. Morreu disto. Em outras reuniões, quando o Peixotinho já não estava mais, o Fábio também não. Eu na cozinha deitado, o Ed e o Élcio na sala, os espíritos materializavam-se. Numa dessas reuniões, o espírito do doutor Fritz aproximou-se de dona Ló, fez uma aplicação nela, pegou a sua mão e as beijou. As mãos de dona Ló ficaram cheia de luz. E ela disse: ‘Jair, o Fritz beijou a minha mão. Sou-lhe muito grata, Ênio.’ E ela viveu algum tempo mais.”

 

Jornal: Por vezes, às terças e quintas feiras, depois do trabalho mediúnico de orientação espiritual realizado pelo senhor na psicografia junto ao nosso querido Irmão Glacus, ao final são realizados alguns relatos espirituais. Qual é a finalidade destes relatos, destes apontamentos que o senhor traz da Espiritualidade?

Ênio: “Estes relatos, em primeiro lugar, são para que as pessoas que freqüentam as reuniões públicas e os colaboradores e tarefeiros da Casa se familiarizem e vejam que a realidade espiritual é uma realidade. Não sei se é pleonasmo, mas é um fato. Em segundo lugar, muitas vezes, serve, não para nós que estamos acostumados, mas para quem ouve o relato, como um bálsamo ou esclarecimento. Inclusive houve um caso de uma senhora numa quinta feira em que os espíritos deram data, nomes, tudo certinho. A criança havia falecido no dia 05 de janeiro de 2007 através de um acidente de automóvel e os espíritos informavam que se os pais estivessem presentes poderiam me procurar ao final da reunião. Ainda disseram que os avós não tinham nada que reajustar com a lei, mas que o menino tinha. Então, o Alfredo, dirigente da reunião pública de quinta feira, perguntou-nos: ‘Ênio, morreu onde e em que lugar? Em que estrada?’ Os espíritos não haviam falado. E então informaram que o acidente havia acontecido na estrada de Manhumirim. O caminhão bateu e passou por cima do carro que o avô dirigia. Depois da reunião os pais da criança me procuraram. E eu, através dos amigos espirituais disse-lhes: ‘Seu filho está bem.  Tem um espírito familiar que está junto dele.’ Falei o nome dele, mas não guardei. Então, esta é a finalidade, de mostrar a realidade espiritual, dar noticias do mundo extra corpóreo, mostrar sobre a imortalidade. Além disso, devo dizer que os relatos contribuem muito a mim, posso dizer que eu sou o mais beneficiado, aprimorando as minhas faculdades mediúnicas nesta existência.”

Jornal: Todos os meses, no terceiro domingo, ocorre as nossas reuniões de confraternização. Qual é a importância efetiva destas reuniões para os tarefeiros e freqüentadores da FEIG?

Ênio: “Reabastecimento.”

Jornal: Como o senhor se sente fazendo parte desta obra grandiosa que conforme nos diz os espíritos é temida pelas trevas e admirada pela luz? O senhor sendo um dos fundadores como é ver 31 anos de Evangelho e Ação?

Ênio: “Em primeiro lugar é uma dádiva dos céus e da espiritualidade amiga e superior. Significa o sentido legítimo da fraternidade. Certo dia o Glacus na reunião do RCE (Reunião de Consulta Espiritual) nos disse: ‘O compromisso da FEIG é com o ser humano.’ ‘E fora da caridade’ - diz Kardec – ‘não há salvação.’ Este é um dos  objetivos da Doutrina Espírita:  a caridade.”

Jornal: Qual é a mensagem que o senhor daria para os leitores do nosso jornal: Evangelho e Ação?

Ênio:Para mim em especial foi uma felicidade quando a Fraternidade através da sua direção, por orientação dos espíritos publicou o primeiro jornal: Evangelho e Ação. Porquanto eu sinto que quando o jornalzinho adentra um lar, quando lido, qualquer uma das suas matérias, traz algo ao coração das pessoas. Traz algo de otimismo e esperança, de fraternidade legítima e guarda preciosos ensinamentos que norteiam a vida das pessoas por toda a geração. Porque o seu conteúdo nos sensibiliza o sentimento, nos mostra em suas páginas roteiro novo,  nos anima a continuarmos nessa peleja redentora.”

Wellerson Santos