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Conforme
informado na edição do jornal Evangelho
e Ação número 192, de fevereiro
de 2008, estamos publicando a segunda
parte da entrevista com o nosso querido
e dedicado irmão Ênio Wendling,
valoroso servidor da Seara Espírita.
Nesta segunda parte, senhor Ênio nos
fala do espírito mentor de nossa
instituição, o venerável Irmão
Glacus.
Por
volta do ano 45 de nossa Era, nas
cercanias de Peloponeso, em Corinto, na
Grécia, nascia o nosso querido mentor:
Glacus Flaminius. Com vinte e cinco anos
de idade, o jovem Glacus já era doutor,
dominando as Ciências Médicas daquela
época, sendo levado por volta do ano 70
para Roma a fim de realizar o seu
trabalho, numa região chamada Aquilino.
Neste
tempo, Glacus chamava a atenção com
sua terapêutica, pois em seu receituário
usava como medicação algumas infusões
e também o exercício de imposição
das mãos sobre os enfermos. Além
disso, o médico adotava práticas não
convencionais, porque atendia
intensamente os pobres, sem nada cobrar.
Essa conduta desgostava a classe médica,
e consta que a mesma mobilizou-se para
eliminá-lo.
Numa
manhã úmida do final do ano 79, a
residência de Glacus Flaminius foi
invadida pelos malfeitores, e ele foi
então morto com lâminas frias.
Desencarnava precocemente, aos trinta e
quatro anos de idade.
É
certo que Glacus teve outras reencarnações
no transcorrer do seu processo
evolutivo. Porém, pelo que temos notícias,
ele irá reencarnar nos primeiros decênios
do século XIV, por volta do ano 1500,
novamente como médico, de nome Garcez,
na Espanha. Em outra encarnação, o
valoroso Espírito viveu no Rio de
Janeiro, como médico sanitarista, na época
de Estácio de Sá, quando combateu
duramente a febre amarela. E no início
do século XIX, registramos o nosso irmão
Glacus vivendo outra existência, dessa
vez em Florença, desempenhando tarefas
administrativas na área das Ciências
Sociais.
Por
volta do ano de 1943, em certa
madrugada, na casa do senhor Ênio, um
enorme clarão se fez no quarto onde
este dormia com seu irmão. Era o nosso
querido irmão Glacus que se apresentava
para o trabalho que deveria empreender
junto à seara de Jesus.
Em
suas várias comunicações podemos
perceber o amor que sente por todos nós,
freqüentadores, tarefeiros, amigos da
Fraternidade Espírita Irmão Glacus. É
um espírito que realmente deixou o
Evangelho de Jesus brotar em seu coração
tornando-se assim um grande semeador,
arrebanhando espíritos para o trabalho
edificante.
Jornal
Evangelho e Ação (Jornal): Segundo relatos, inclusive feitos pelo
senhor, Glacus Flaminius teria tido uma
encarnação em Corinto, tendo nascido
por volta do ano 45 da nossa era. Tem-se
notícia de seus pais? Se ele foi casado
ou se teve filhos? Se teve irmãos? Como
era sua vida no seio familiar?
Ênio:
Uma boa e oportuna pergunta. O
Glacus, desde a feliz oportunidade que
tive de vê-lo pela primeira vez, não
se referiu ao assunto. Era mais ou menos
duas horas da manhã quando ele adentrou
pelo meu quarto, parando à minha
esquerda. Não era a claridade da luz da
cozinha que vinha entrando em meu
quarto, era a luz dele. O Werley, meu
irmão, dormia na cama ao meu lado. E
ele, Glacus, nos saudou dizendo: “Meu
caro amigo e irmão, Deus nos ofereceu a
oportunidade de nos reencontrarmos e
nessa oportunidade ficarmos frente a
frente. Eu sei que o nosso irmão
encontra-se reencarnado há quase 20
anos. Eu me chamo Glacus Flaminius.
Fomos médicos e nas oportunidades de
evolução coube a cada um de nós
seguir a sua estrada e hoje reencontro o
amigo e irmão na tarefa do Evangelho.
Esperamos muito do nosso querido irmão.”
E foi diluindo. O Werley, meu irmão,
havia acordado e ouviu. Perguntou:
“Você está conversando com quem?”
E eu respondi: “Nem te falo, porque
você não ia entender.” Para minha
surpresa, eu pensei de não dormir o
resto da noite, mas dormi e acordei no
horário do meu serviço, às 6:00 horas
da manhã. Levantei-me e narrei o
ocorrido a minha mãe, que já era médium
no Centro Espírita Oriente. Mas desde
este dia, conforme já disse, nunca o
nosso Irmão Glacus se referiu a nenhum
dos seus familiares daquela época.
Porque os teve, naturalmente. E agora,
frente a pergunta, o nosso Irmão Glacus
nos informa: “Quando em Corinto, no
Peloponeso, na Grécia, formando em
Medicina, frente ao Domínio Romano da
época, fui guindado a servir em Roma,
em nome do então Imperador Vespasiano.
E o nosso amigo, hoje Ênio, que está
nas fileiras da doutrina imortalizante,
tem cumprido dentro do possível os seus
compromissos. Estou feliz.” Ele parou
de falar... [informou o Ênio].
Os familiares se perderam ou
distanciaram pelas circunstâncias do
Império Romano. Os familiares foram
arrebatados para outras obrigações.
Ele não disse forçado, mas foram forçados.
E nos diz agora: “Alguns deles, pela
bondade superior dos amigos espirituais,
se encontram em agremiações espíritas
como a nossa, que tão bem os irmãos
cuidam em nome do Cristo. Proporcionando
ao viandante do caminho aquilo que o meu
coração e o meu espírito intensamente
desejava, cujo início datou da
oportunidade do Aquilino em Roma.” Ele
foi médico. E estava utilizando-se da
Medicina de uma forma que contrariava a
classe privilegiada.
Algo
muito interessante que ele nos conta é
que quando foi para Alexandria, pôde
ver, indo em várias cidades, no sul do
Cairo, na área de Mênfis, a cidade
coberta que os egiptólogos franceses
vieram a descobrir a oito ou dez anos
atrás. Diz ele que quando embarcou para
Alexandria, no Egito, ele olhava a tarde
da cidade litorânea da Península
Italiana. O céu começou a ficar rubro
e as montanhas começaram a rugir.
Quando ele estava em alto mar viu clarões
no céu da cidade e veio o Vesúvio que
sepultou toda a cidade. E ele escapou.
Ele presenciou o fenômeno e isso nos
relatou. Mas sobre a sua família não
nos disse muito porque muitos dos seus
familiares ainda estão reajustando e não
foram tão felizes como ele.
Jornal:
Nesta época em que ele viveu, se nós
fizermos uma análise bíblica, muitos
dos apóstolos de Jesus realizavam o seu
trabalho de divulgação da Boa Nova.
Glacus teve oportunidade de conhecer
algum deles? Como foi que ele se tornou
cristão?
Ênio:
Ele também não se refere a isso.
Mas sentia que a representatividade do
Cristo era uma novidade para muitos no
Aquilino, mas para ele já era um
sentimento que ia em seu espírito. Por
isso é que ele abraçou a tarefa da
Medicina em favor da grande massa de
criaturas que carecia de cuidados
elementares, de cuidados médicos que na
época ele possuía.
Jornal:
Mais tarde, por volta do ano 1500,
conforme também relato espiritual feito
pelo senhor, ele teria reencarnado na
Espanha com o nome de Garcez. Segundo
consta, depois da morte do Doutor
Olviedo de Sarraceno, ele foi trabalhar
junto à corte de Carlos V. Tem-se notícia
de como foi sua vida neste período?
Quais os trabalhos que realizava? Foi
casado? Teve filhos? Como foi o seu
desencarne? O senhor estaria autorizado
a nos falar um pouco mais sobre esta
existência do nosso irmão?
Ênio:
Não. Mas é muito bom para mim saber
desse desejo de vocês e depois sentir
com ele. Ele já está sabendo do desejo
de vocês, mas vocês estão fazendo
agora a pergunta publicamente a nós.
Consta que na região de La Valeta,
perto de Gibraltar, deu a peste negra
que dizimou grande quantidade de
pessoas, incluindo os mouros que já
ousavam adentrar o continente através
da Península Ibérica. E ele, Glacus,
agora como Garcez, ficamos sabendo –
ele não nos falou –, ficou imune,
porque já tinha belas conquistas
espirituais. Enquanto que o doutor
Olviedo de Sarraceno, que era eu na
encarnação anterior, desencarnou vítima
da peste. O desencarne do doutor Garcez
foi de morte natural.
Jornal:
Em uma de suas reencarnações, Glacus
viveu aqui no Brasil. Teria trabalhado
com o nobre Estácio de Sá. Seria
permitido o relato de seu nome e de sua
história nesta época?
Ênio:
Montezuma foi Aarão Reis. O
Glacus reencarnou no Brasil e o seu nome
é para ficar no anonimato. O Chico não
falava de André Luiz. Então fica uma
grande lacuna para nós. Vou ver se eu
tenho tempo nesta reencarnação de
colher mais informações sobre este
assunto, porque eu tenho certeza que o
Glacus não vai passar isso para nós.
Teríamos que ver com o nosso irmão
Palminha ou José Grosso.
Jornal:
Por fim, reencarnou em Florença no século
XIX. Haveria algum relato que o senhor
poderia nos fazer sobre esta existência?
Ênio:
O nosso Glacus, juntamente com Léon
Denis, viajou para Paris, na França. E
ficaram conhecendo o professor Hypollyte
Leon Denizard Rivail, que mais tarde
ficou conhecido sob o pseudônimo de
Allan Kardec. Esse encontro aconteceu
porque o Plano Espiritual já o havia
programado. E o nosso querido mentor
Glacus, conhecendo-o, abraçou com
facilidade os conceitos de O
Livro dos Espíritos e de O
Evangelho Segundo o Espiritismo.
Kardec, com sua autoridade, pediu a ele
para que quando regressasse a Florença
pudesse ajudar na divulgação do livro
espírita na Itália. Ele levou para
Florença as obras e teve que escondê-las,
porque viu homens e mulheres sendo
enforcados em nome desta doutrina que
surgia e soube dos livros que já haviam
sido queimados em praça pública em
Barcelona, na Espanha. Pelas minhas
lembranças foi mais ou menos assim o
que ocorreu.
Jornal:
Nesta reencarnação, quando viveu em
Florença, pelo que o senhor nos diz na
resposta anterior, estando em Paris ele
teve oportunidade de ter conhecido o
codificador da Doutrina Espírita, Allan
Kardec, bem como um dos maiores
trabalhadores para a divulgação do
Espiritismo, Léon Denis. Como foi esse
encontro?
Ênio:
Foi uma viagem de carruagem pelas
estradas da Teotônia, Germânica,
Alemanha, e não teve dificuldade
alguma. As estradas eram acanhadas para
a época, mas não foi dificultoso o
acesso. Chegando a Paris, foi Amelie
Gabrielle Boudet, a senhora Allan
Kardec, quem recebeu os dois. Pediram
para entrar, entraram e esperaram. O
nosso irmão Kardec, nesta época,
estava muito preocupado porque os
cientistas ateus estavam combatendo os
seus livros. Conversaram muito, e Glacus
logo depreendeu que estava no lugar
certo, para falar com a pessoa certa,
sobre os problemas transcendentais da
alma. Logo depois ele voltou para Florença
e continuou o seu trabalho de assistência
médica em favor dos mais necessitados.
Nessa época ele fez a divulgação da
doutrina.
Jornal:
O senhor poderia descrevê-lo em sua
aparência? Como ele se apresenta no
Plano Espiritual?
Ênio:
O Glacus aparenta ter no Plano
Espiritual uns 59 para 60 anos, sendo
que seu perispírito tem se
rejuvenescido nos últimos tempos. Ele
é alto, claro, vasta cabeleira
grisalha, o rosto liso. Calça
geralmente cinza, usando também um
jaleco. Tem momentos em que fica
luminescente. Possui os olhos claros,
ampla testa, pele romana. Por
naturalidade é um espírito muito simpático.
Jornal:
Teria algum relato que o senhor gostaria
de fazer em relação ao nosso Mentor?
Algo de importância e relevância para
o nosso trabalho?
Ênio:
Houve uma reunião de médicos no
Plano Espiritual. Seria um Concílio.
Glacus, que já possuía muitos méritos,
seria o indicado naquela reunião para
realizar uma tarefa no Terceiro Mundo,
aqui no Brasil. Na reunião foi
informado de que ele ia ser homenageado.
A seu ver ele não estava a altura, pois
está caminhando como todos nós. Porém,
para sua surpresa, ele ficou sabendo
através do departamento da Colônia
Nosso Lar que o seu nome ia ser indicado
para que fulgurasse numa das instituições
nos céus do Brasil. E no Plano
Espiritual a nossa Irmã Veneranda
disse: “Decidimos fraternalmente que a
instituição vai aparecer na cidade de
Belo Horizonte, estado de Minas Gerais,
no Brasil. Ismael já está de acordo e
o guia espiritual está presente e
feliz. O nosso irmão vai ter o seu nome
em uma instituição filantrópica.”
Saía luzes dos lábios de Veneranda.
Para
não perder minha existência, para
deixar de fazer confusões e de
aproveitar indefinidamente, fui
localizado, conduzido e ajudado pelos
espíritos. Teria a primeira manifestação
com um pouco acima de dez anos de idade.
Com dezessete anos desabrocharia a
mediunidade do receituário e da vidência
mais aflorada, da psicofonia. O coração,
um pouco mais evangelizado.
Glacus
concordou com a sua missão e orou
intensamente a Deus, ao Mais Alto, por
mim, que estava muito doente. De suas
faces saíram lagrimas cristalinas. E
fazendo uma cirurgia, melhorei e comecei
a trabalhar na seara do Cristo
intensamente.
Depois
de algum tempo começaram a surgir os
Grupos de Fraternidade. Os espíritos
alemães vieram para o Brasil e
demonstraram o anseio de construir uma
cidade, que ficaria conhecida sob o nome
de Cidade da Fraternidade. Nesta época,
a OSCAL – Organização Social Cristã
André Luiz tinha cento e dois grupos
filiados a ela, inclusive o Grupo de
Fraternidade Espírita Irmã Scheilla,
que freqüentávamos. E neste momento eu
me desobriguei das atividades relativas
a esta casa.
E
Glacus disse humildemente: “Eu me
dispus a trabalhar não só junto ao médium
quanto à mediunidade em si,
principalmente do receituário, sabedor
de que surgiria uma casa em nossa
simples personalidade, com o meu nome,
me homenageando, mesmo sabendo não ser
merecedor.”
Eu
particularmente fiquei muito alegre e
satisfeito quando colocaram o nome dele
no Grupo da Fraternidade Espírita em
Colatina no Espírito Santo.
Infelizmente não pudemos dar muita atenção
porque era longe, mas acredito que deva
existir até hoje.
Certa
ocasião eu vinha de trem, juntamente
com o senhor Jair Soares e o doutor Lídio
Diniz, do Grupo da Fraternidade de Vitória
e de Cachoeira do Itapemirim quando
passamos por uma cidade de trem.
Nesta
oportunidade conheci Maria Lourdes
Silva. Era uma jovem senhora freqüentadora
do Grupo da Fraternidade Espírita Irmão
Glacus de Colatina. Ela havia feito o
Hino ao Glacus. Quando ela estava lendo
a letra, eu senti uma paz indescritível,
e o nosso Irmão Glacus se apresentou de
novo. Suave, sorridente, o rosto dele
era só contentamento. E deu-nos o hino
de presente.
Jornal:
Na atualidade, como Glacus se sente
trabalhando na seara espírita tendo
conhecido o insigne Mestre Allan Kardec?
Para ele, qual o significado desta obra
grandiosa que é esta instituição que
leva o seu nome?
Ênio:
Ele sente como uma grande
oportunidade de trabalho, oportunidade
esta que proporciona ao seu espírito
ainda necessitado uma grande felicidade
interior. Se sente ainda como se
estivesse dentro de uma seqüência de
evolução que um dia permitirá a ele
viver integrado com a luz da misericórdia
de Jesus e da Espiritualidade Amiga e
Superior. Ele não tinha cajado, mas
apoiou-se na grande boa vontade. Dentro
do desejo do porquê da vida buscou o
mecanismo de evolução que nos
impulsiona para a luz, para o
crescimento espiritual. Esta instituição
traz a ele a oportunidade não só de
redimir, tanto quanto para avançar rumo
à luz. Que ele possa na caminhada milenária
continuar sob os auspícios da misericórdia
de Deus.
Por
felicidade ainda, ele se encontra junto
a corações amigos de ontem, de hoje,
integrado no núcleo, na casa, na base
da bondade dos cooperadores cuja bondade
o anima para a caminhada continuamente.
E não esquece jamais toda esta bondade
da maioria de todos aqueles que desde a
primeira hora buscaram homenageá-lo com
o nome de Amigo da Espiritualidade
Superior.
“Desejo
sim viver no amanhã, na luz do Senhor e
na oportunidade dos milênios que Deus
me deu, que um dia possa me sentir
integrado em todo o seu amor –
Deus.”
O
jornal Evangelho e Ação agradece o carinho e atenção com que fomos
recebidos na residência do nosso
querido e dedicado irmão Ênio a fim de
realizarmos esta entrevista que foi
dividida em duas partes. Rogamos a Deus,
a Jesus e ao nosso querido Irmão Glacus
que continuem amparando-o em sua marcha
evolutiva, para que ele possa cumprir,
conforme vem cumprindo, a sua missão.
Que
Jesus nos abençoe!
Wellerson
Santos
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