Departamento do Bem Estar e Assistência Social

Campanha do Quilo


 

A Caravana do

 

 Amor e Solidariedade


 

"CAMPANHA DO QUILO

ENTRE AMIGOS"

  Ajude-nos a Ajudar!

 


"Vinde benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me. Então perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? Em verdade vos afirmo que sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (Mateus, 25 de 35 a 40).


"os tarefeiros da campanha do quilo são os médiuns de alimentos..."

Voluntários na tarefa da Campanha do Quilo da FEIG. 


Artigo sobre o Encontro dos Tarefeiros da Campanha do Quilo em 01/08/2004. Leia


Encontro dos Tarefeiros da Campanha do Quilo em 03/08/2003. Leia


  

Dicas p/o bom andamento da tarefa

 
Seja pontual, agindo assim a serenidade estará em você;
Cuide bem da sacola e mensagens, é o nosso maior "patrimônio"; 
Coloque as doações como produtos de limpeza e afins sempre no compartimento próprio da sacola, nossos irmãos que recebem os alimentos merecem todo nosso carinho;
Respeite os limites do percurso definido (ruas, avenidas...) pela coordenação, lembre-se que existe toda uma programação;
Ajude sempre o seu companheiro de tarefa, a espiritualidade sempre nos orienta: "Ombro-a-ombro e lado-a-lado";  
Leve sempre uma palavra de esperança, bom ânimo e confiança aos lares visitados, viva a tarefa intensamente; 
Receba o novo tarefeiro com muito amor e carinho, lembra-se do seu primeiro dia? 

 

 

 

Histórico

A campanha do quilo como uma atividade cristã-espírita teve início nos idos de 1952, no Centro Espírita Oriente, hoje conhecido como Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla. Existe a informação de que a Sociedade Espírita Nina Aroeira já realizava essa atividade desde 1949, sob a direção e entusiasmo de um valoroso espírita mineiro, o irmão Machado, e com o nome de Caravana de Alegria Cristã. Presume-se que tais trabalhos duraram pouco tempo, e infelizmente não foi possível acessar outros registros sobre o assunto.

Em 1952, o Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla realizava reunião pública às quintas-feiras. A irmã Leda Morais coordenava, na época, uma atividade muito meritória e, de público, exortava as pessoas presentes a trazerem na semana seguinte um quilo de qualquer alimento com destinação a algumas famílias pobres assistidas pelo agrupamento.

O jovem Jarbas Franco de Paula, que freqüentava a instituição há pouco mais de um ano, tomou a atitude de procurar o seu presidente, o irmão Gabriel Sândi, no intuito de apresentar a ele tais idéias, e o diálogo transcorreu da seguinte maneira:

- Senhor presidente, permita-me uma sugestão, já que vejo o esforço sem muitos resultados da nossa irmã Leda, de angariar gêneros alimentícios para serem distribuídos às famílias assistidas pela nossa instituição.

  • Do que se trata, meu jovem?
  • Por que não realizamos uma campanha nas ruas, para aumentar a arrecadação de mantimentos a serem ofertados?
  • Ora, Jarbas, isso poderá trazer problemas inesperados e de difícil solução. Ademais, uma atividade assim só comporta ser realizada por criaturas jovens.
  • Compreendo, mas faço-lhe um pedido e ficarei imensamente grato, se atendido.
  • Qual é? Eu preservo a instituição; no entanto, sou uma pessoa aberta e tenho sensibilidade.
  • Autorize a realização de uma, uma só, campanha para efeito de experiência.
  • Bem, uma só, eu autorizo.

Na quinta-feira seguinte, o Jarbas, cheio de entusiasmo, fez o convite em plena reunião pública para que pessoas participassem da nova atividade a acontecer, a partir das 8 horas do domingo. Percorreriam a rua Itajubá e algumas ruas adjacentes no bairro Floresta.

Assim, num belo domingo de junho de 1952, o grupo, formado por Jarbas Franco de Paula, Leda Morais, José Lopes Souza Lima e sua esposa Isaura, Vicente Wendling e Cacilda Morais, inaugurou o ciclo permanente da campanha do quilo em Minas Gerais.

Foi tanta a arrecadação, que os sacos de farinha destinados a abrigar as doações não foram suficientes. A pequena despensa ficou abarrotada.

Ficamos a imaginar a alegria daqueles caravaneiros e a sintonia fina que eles alcançaram com a Espiritualidade.

Atendamos agora a expectativa do leitor: é claro! O presidente da instituição não teve como interromper "A Campanha do Quilo" iniciada. Conta-se, inclusive, que, a partir de julho do mesmo ano, ele com esposa e filha reforçaram o time do bem.

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Generalidades

A campanha do quilo constitui uma das atividades mais nobres realizadas pelos espíritas. Existem notícias de tal atividade desde os primórdios da segunda metade do século passado, o que significou uma verdadeira revolução e mudanças de costumes, já que o centro espírita era tradicionalmente fechado em si mesmo, e as ações externas, além de restritas, sofriam um julgamento equivocado do público em geral.

Com uma certa timidez, algumas casas espíritas, naquela época, realizavam visitas a enfermos com aplicação do passe de magnetismo humano-espiritual e, como os resultados fossem auspiciosos, houve um encorajamento dos espíritas para a vivência dos ensinos do Cristo, corroborados por Allan Kardec: A fé sem obras é morta; fora da caridade não há salvação!

Hoje um universo de mais de cem casas realiza a campanha com regularidade, aos sábados ou domingos, exatamente pela facilidade de arregimentar tarefeiros ou voluntários tanto como pela possibilidade de encontrar os moradores em seus respectivos lares.

Essa é das tarefas primeiras a se recomendar ao incipiente espírita! Tão logo o freqüentador se identifique com a Casa e alcance relativo padrão de harmonia interior, desde que manifeste desejo e se disponha a atender as normas explicitadas, estará apto a participar de tão sublimada atividade espiritualizante. Não se exige desse tarefeiro profundos conhecimentos doutrinários e evangélicos, nem tampouco atestado de bons antecedentes morais, até porque a maioria de nós está à semelhança do filho pródigo, isto é, o Senhor da Vida nos dignifica com oportunidades de reparação dos nossos equívocos pretéritos e construção de um futuro mais feliz. O hoje é então a oportunidade inadiável!

A campanha do quilo atende, em simultâneo, duas missões características do centro espírita: a de OFICINA, pelo trabalho assistencial propriamente dito; a de TEMPLO, pela dilatação dos limites físicos da instituição, irradiando-a até os lares visitados.

Como oficina: vários trabalhadores deixam a comodidade dos seus lares, o prazer do divertimento nos clubes ou dos passeios nos sítios, para carregarem, nas mãos, sacolas ou fardos, deslocando-se para aqui ou acolá, muitas das vezes em árduas caminhadas, enfrentando situações inesperadas e de perigo; para recolherem de corações generosos a peça de roupa, o remédio, o brinquedo velho, o livro usado, a barra de sabão, o quilo de feijão, o pacote de arroz, o macarrão, a moeda, o sapato e seja lá o que for, até um pedaço de pão.

O CAMPANHEIRO, assim é chamado o tarefeiro da campanha do quilo, retorna alegre e descontraído, sabendo que os produtos arrecadados serão cuidadosa e criteriosamente guardados na despensa, por ele ou outros tarefeiros. As sacolas, análogas às cestas básicas conceituadas popularmente, conterão o indispensável para atender as mínimas necessidades de famílias carentes, previamente cadastradas, e que vivem em estado de exclusão social. Ele se rejubila por ser um instrumento dos Céus para auxiliar os desprovidos do conforto material. Lembra-se ele da afirmação carinhosa do meigo Rabi da Galiléia: "Vinde benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me. Então perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? Em verdade vos afirmo que sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (Mateus, 25 de 35 a 40).

Como templo: a partir do momento em que uma ou mais equipes se distribuem para várias regiões da cidade, configura-se aí algo à semelhança de um centro espírita ambulante: levam-se a cada lar visitado as vibrações imanentes e características da própria casa espírita. É o odor de Jesus a espalhar-se, e nem um propósito outro que o desejo de servir toca a alma do campanheiro. Ele está impregnado do sentimento de solidariedade e será instrumento para outros também praticarem a solidariedade! A alegria cristã a vestir sua alma estancará, ainda que momentaneamente, emoções controversas de muitos que receberem o seu cumprimento cordial. Uma casa espírita que se irradia e se dinamiza; é um templo vivo, penetrando a intimidade dos lares onde um coração servidor bate e se apresenta!

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Aspectos Morais

Essa tarefa tão meritória do ponto de vista espiritual enseja conquistas morais de alta relevância, nem sempre registradas pela nossa percepção vulgar. Alguns sensos são desenvolvidos no tarefeiro em causa, principalmente os da humildade, da solidariedade, do respeito e da benevolência. Este servidor do Bem é também agente de transformação de muitas criaturas conclamadas a doar, aguardando estas somente uma oportunidade, um aviso, um empurrão para darem novos rumos a sua trajetória existencial, sendo preciso, pois, ao companheiro levar as marcas do Cristo para o interior de cada lar visitado.

Aquele cujo coração irá ser sensibilizado, quando da visita da campanha do quilo, internaliza no seu imo o embrião de futuras aquisições, todas nascentes do gesto da caridade induzida! Poderão despertar nele o desejo do gesto futuro de caridade espontânea; da reflexão quanto a sua relação com o semelhante; da busca de novos roteiros para dar nova motivação e alegria a sua vida; da revisão da própria conduta no meio familiar, buscando o verdadeiro significado da existência terrestre. Exemplifiquemos com alguns dentre inúmeros casos registrados nessa tarefa:

1º Caso: O irmão presidente

Residíamos, nos primórdios da década de setenta, na cidade de Teófilo Otoni, onde freqüentávamos o Grupo da Fraternidade Joseph Gleber. Como éramos egressos de movimento juvenil espírita, colaboramos para que se fundasse naquela instituição a Mocidade Espírita. Depois de algum tempo, sugerimos a criação da tarefa da campanha do quilo. A diretoria da casa aprovou, e seu presidente, o irmão P., com muito entusiasmo, incentivou para que imediatamente iniciássemos tão nobilitante atividade.

Externamos convite ao irmão P. para participar conosco, e isso tinha um aspecto motivador; no entanto ele, habilmente, se esquivou alegando compromissos familiares ou justificando ser a tarefa mais apropriada aos mais moços. O nosso querido presidente era pessoa culta, de prestígio e muito conhecido na sociedade. Diante da nossa insistência fraterna, ele acabou cedendo e esclareceu que, no final de semana seguinte, iria conosco, mais para conhecer a tarefa, conviver conosco e servir de motorista transportando campanheiros e produtos arrecadados. Ficamos deveras satisfeitos, e tudo transcorreu conforme combinado.

Observamos que o irmão P. ficava no veículo ou nas suas proximidades, algo tímido, até que numa rua de moradias ricas surgiu, do belo jardim de uma casa, o proprietário para nos atender. O cavalheiro, logo após os cumprimentos, teve sua atenção desviada e de repente gesticulou e, em alta voz, chamou: P.! Oi, P.! E se dirigiu ao nosso irmão presidente.

  • Você, por aqui! Que boa surpresa. Há muito tempo não nos víamos!
  • É verdade, respondeu o nosso irmão, com certo constrangimento.
  • Que bons ventos o trazem à porta de minha casa? Venha, vamos entrar.
  • Não posso, fica para outro dia.
  • Como assim, meu amigo? Você não vai me fazer essa desfeita!
  • Mas...Eu... estou com eles!...
  • Se são seus amigos, serão meus também. Entremos todos; vamos conversar e tomar um cafezinho.

Atendendo a um dever cristão, aproximei-me e envolvi-me no diálogo:

  • Que bom conhecer um amigo do querido irmão P. Ele tem razão, hoje não nos é possível entrar na sua casa para uma conversa agradável e mais demorada. Estamos fazendo a campanha do quilo.
  • O que é isto? O que é uma campanha do quilo?
  • É uma atividade que realizamos aos domingos por conta do Grupo da Fraternidade Joseph Gleber. Deslocamo-nos para bairros diversos e batemos à porta de corações generosos, para que nos ajudem a ajudar. Tudo para nós é de utilidade, seja lá uma roupa antiga, brinquedos usados, gêneros alimentícios, moedas ou o que for. Do arrecadado, preparamos sacolas para serem distribuídas para famílias muito pobres e em estado de miséria social.
  • Amigo P., você participa de tudo isso?
  • Sim, junto com eles, os meus amigos.
  • Parabéns! Eu sabia que você é espírita, porém ignorava que esta religião fosse capaz de tanta expressão de generosidade.

Quero ainda conhecer os trabalhos de vocês com mais detalhes.

O irmão P. foi até ao alpendre e ficou a aguardar o retorno do amigo. Depois o vimos sorridente segurar, nos dois braços, um pesado fardo de arroz e caminhar principescamente até o jipe. Daí em diante, ele quase sempre se encarregou dos contatos iniciais com os irmãos em humanidade, convidados a encher as sacolas da campanha do quilo.

2º Caso: A ação policial

A equipe nº treze da campanha do quilo, do Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla, deslocava-se por ruas do bairro São Pedro, na região de Venda Nova, quando dois soldados, que estavam num bar-mercearia, indagaram o que aquela equipe fazia ali e qual o conteúdo das sacolas transportadas.

O irmão Moacir educadamente esclareceu. O soldado em seguida questionou:

  • Como vocês podem comprovar a veracidade de tudo isso?
  • Perfeitamente, e o Moacir logo apresentou uma sacola com caracteres imprimidos, além de uma mensagem psicografada que continha os dados principais do Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla.
  • Isso nada comprova, respondeu asperamente um dos policiais, determinando que os dois campanheiros penetrassem na viatura policial.

Nesse momento, chega o Almir Lima acompanhado de um irmão que, pela vez primeira, realizava a campanha do quilo.

Surpreso perguntou:

  • O que se passa? Por que estão nesse veículo?
  • Quem é você? Por que tem também essa sacola na mão?
  • Eu sou o Almir e tenho a responsabilidade de coordenar a equipe treze da campanha do quilo!
  • Ah, é?! Você também faz essa tal de campanha, não é?
  • Sim, e com muita alegria no coração.
  • Venham cá, você e seu amigo, e entrem no camburão também. Eu sei que campanha é essa!...

Nisso o irmão que acompanhava o Almir, com muita calma, entra no diálogo:

  • Meu amigo, posso até ir com você, mas não aí. Tem de ser num carro especial.
  • Como assim? Não brinque conosco, as coisas podem complicar para o seu lado!

Sem pressa, ele retirou do bolso sua carteira de Coronel da Polícia Militar e apresentou. Ato contínuo, os homens da lei fizeram-lhe continência e pediram-lhe mil desculpas.

O campanheiro poderia ter tomado várias atitudes, algumas até com prejuízos graves para os policiais, no entanto, somente asseverou: "sigam seus caminhos e procurem, doravante, ser justos e retos no exercício de uma profissão tão importante para a sociedade" (fato relembrado pela irmã Deliz Nogueira S. Fonseca).

3º Caso: A Testemunha de Jeová

Estava a relembrar com o Jarbas Egídio Martins alguns casos ocorridos na tarefa da campanha do quilo, da qual ele participa há trinta e nove anos. Escolhemos um para relatar e ele disse: Alan, logo esse tão negativo? Expliquei-lhe que o negativo muitas das vezes instrui, servindo de preciosa lição para o futuro.

Contou ele que a equipe dezessete realizava a campanha, no bairro União, há cerca de trinta anos atrás. O irmão M. bateu palmas e um senhor de meia-idade apareceu no alpendre, ligeiramente desnivelado em relação ao piso do passeio público, e travou com ele o seguinte diálogo:

  • Bom dia, meu irmão. Estamos pedindo algo a favor de criaturas pobres.
  • Bom dia, de onde vocês são?
  • Fazemos a campanha do quilo e somos do Centro Espírita Oriente.
  • Espíritas? Sai de mim, Satanás!
  • Não somos criaturas malignas. Somos do bem.
  • Os espíritas têm pacto com as trevas.
  • Nós também somos filhos de Deus!
  • Vocês são filhos do Diabo!
  • Você está sendo tão cruel conosco. Qual é a sua religião?
  • Sou Testemunha de Jeová e acredito no poder de Jesus.
  • Nós espíritas também.
  • Vocês evocam os mortos e Moisés condenou essa prática. Vocês são mestres em bruxarias, adivinhações e sortilégios.
  • O irmão está muito enganado. Jesus enalteceu a mediunidade utilizada para o bem. Paulo, o apóstolo, também.
  • Saiam já da minha casa.
  • O senhor é atrevido. Nós nem penetramos na sua casa, e o senhor está nos expulsando?
  • Estou, sim. Não quero mais discutir e estou perdendo a paciência.
  • Pelo que vejo, o senhor não tem argumentos. Não temos como chegar a um acordo. O seu desrespeito foi enorme.
  • Espere só, que volto já!
  • Venha até aqui que resolveremos nossas diferenças no braço.

Nisso, o Jarbas tomou o irmão M. pelo braço, concitou-o ao silêncio e a que pensasse em Deus. Dirigiu-se logo a seguir ao evangélico e disse-lhe:

  • Peço-lhe perdão, não tínhamos o direito de ofendê-lo. Jesus ampare o seu coração. Fique em paz.

Jarbas conta que o fato foi uma lição inesquecível e, a partir de então, os campanheiros ficaram mais vigilantes com a palavra, não olvidando que, para atingir os objetivos da tarefa, importa até sofrer humilhações, se for da vontade do Criador.

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Aspectos  Espirituais

Tão importante quanto ofertar o mantimento ao corpo físico do irmão que sofre é levar uma parcela de luz a tantos lares que jazem em trevas profundas, onde muitos são ricos de moedas, mas pobres de paz. Esse é um quadro muito comum aqui na Terra. A paisagem exterior, retratando beleza e conforto, nem sempre reflete os sentimentos íntimos das criaturas albergadas nas moradias terrestres. É comum, mesmo diante da abastança, depararmos com lares tristes e almas angustiadas, depauperadas vivendo dramas e padecimentos morais inimagináveis ao observador comum. Acresce-se a isso a dissonância entre os seus membros e situações de maior ou menor gravidade no campo das doenças obsessivas.

São incontáveis os lares do mundo, vergastados por dor invisível que os recursos terapêuticos da medicina tradicional não consegue debelar. São dores agudas despontando de dramas morais com causa no pensamento infeliz, na palavra insensata e na atitude cruel do ontem.

O tarefeiro da campanha do quilo nem sempre é sabedor da sua missão ao contato com esses infelizes ocultos. Recolher doações nesses domicílios será mero pretexto. A espiritualidade pretende muito mais, e uma multidão de espíritos engrossa a caravana; prepara o ambiente psíquico; cuida da assepsia da trilha por onde se deslocam os servidores do bem e amortece as vibrações contraditórias dos lares a serem visitados!

Ademais, em virtude das emissões vibratórias sublimadas pelo Amor Fraterno de que se reveste o Campanheiro, enquanto é atendido, no mundo material, pelo irmão doador que oferta mantimentos que alimentam corpos desafortunados, muitos irmãos, no mundo espiritual, são resgatados de cada lar visitado, quase sempre em profundo desequilíbrio; outros, que atentos, em todo o trajeto, reconhecendo a sinceridade dos sentimentos e a nobreza da conduta do Campanheiro, pautada pela humildade, compreensão, fraternidade e bondade, abrem seus corações e confiantes na ajuda do plano superior, alimentados de propósitos regeneradores e construtivos, são levados por caravanas do plano invisível, para se tratarem nas inúmeras Casas de Jesus.

O Senhor da Vida protege todos os seus filhos, e é da lei ninguém ficar à margem do progresso. Mencionamos no início deste trabalho que a campanha do quilo assume o aspecto de uma casa espírita ambulante, isto é, o Centro Espírita vai para as ruas penetrando a intimidade dos lares. Cada campanheiro torna-se um médium dos céus e por ele transitam recursos, na forma de auxílio que sofre ou não registro. É da lei também que todas as criaturas se movimentem em regime de liberdade. O Senhor da Vida não impõe a transformação de ninguém. Ilustremos com alguns dentre tantos casos de auxílio desse jaez:

1º Caso: O pai infeliz

Participamos, há anos, de uma reunião de desobsessão e, precedentemente ao seu início efetivo, realizamos uma tarefa de atendimento fraterno, mais voltada para prováveis irmãos portadores de transtornos, tipo obsessão espiritual. Notamos um cavalheiro algo mais ansioso, aguardando atendimento.

Quando da sua vez e após as saudações iniciais, ele nos confiou que o seu estado era de desesperança. Indaguei-lhe:

  • O que foi, meu irmão? Por que a tristeza profunda?
  • O meu martírio é imenso. Minha vida perdeu significado, aliás, nem sei bem a razão de minha presença aqui. Já havia decidido exterminar a minha vida.
  • Como assim, meu irmão, a vida é um dom precioso e mesmo diante de pungentes dificuldades ela merece ser vivida. Se você quiser, fale do seu drama.
  • Ah moço, eu era feliz até descobrir que meu único filho tinha comportamento homossexual, e o meu lar desmoronou. Todos os meus projetos passavam pela felicidade dele.
  • Sim, meu irmão, nós sempre queremos o melhor para os nossos filhos e às vezes até projetamos para eles o que desejaríamos para nós.
  • Está certo, porém a humilhação foi imensa e achei como melhor solução expulsá-lo de casa, mas esse procedimento não resolveu o problema. Por isso decidi matar-me.
  • Você não fará isso. Deus não quer e para tudo existe solução, mesmo que ela não esteja visível e tão próxima! Você quer receber a ajuda desta casa?
  • Claro, diga o que me convém fazer?

Nós lhe explicamos a linha de tratamento, no entanto não refreamos o impulso de lhe fazer uma pergunta:

  • Como o irmão veio parar em nossa instituição?
  • Ah sim, algumas pessoas bateram à porta do meu apartamento e disseram estar realizando a campanha do quilo. Fiquei atraído pela gentileza de uma senhora de relativa idade, vestida tão simplesmente e ajudando um jovem a carregar uma pesada sacola com os produtos já obtidos em outras casas. Conversando, despertou-me o interesse em conhecer um lugar que torna as pessoas tão boas e desprendidas.

2º Caso: A moça desesperada

A equipe número oito da campanha do quilo do Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla, sob a coordenação do Ernesto, bastante numerosa, atendia a uma vasta região do Barreiro. Numa das casas, veio uma moça de aspecto muito aflitivo, apresentando visível sofrimento interior.

Ernesto, certamente sintonizado com a espiritualidade, indagou:

  • Por que uma moça jovial e bonita está tão triste?
  • Ah, eu sofro muito; ninguém me compreende e estou muita revoltada com a vida.
  • Ainda assim, não vale a pena a tristeza; afugente-a e sua vida estará mudada.
  • Olhe, moço, vou-lhe contar algo que pessoa alguma sabe. Já tenho guardado no banheiro da minha casa um frasco de formicida. Vou me matar!
  • Você não fará isso. Dar-lhe-ei o endereço do Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla, onde as pessoas recebem consolação. Fique em paz. Estaremos orando por você.

A moça, daqueles tempos, é hoje valorosa servidora do Cristo. Participa como cooperadora de reunião de desobsessão, faz a campanha do quilo e alegra os pacientes dementados do Hospital Raul Soares quando dedilha no violão músicas de grande enlevo espiritual (a irmã Marízia Nascimento ajudou na lembrança deste caso).

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Normas e Procedimentos

Referimo-nos, no início do texto, às normas da instituição a serem observadas tendo em vista o bom êxito da tarefa. Elas devem ser simples, elementares, norteadoras e revestidas do espírito cristão. Destaquemos alguns pontos que se afiguram mais importantes na sua elaboração:

  • Necessidade de nomear um coordenador da campanha do quilo tanto como os responsáveis pelas equipes no caso da existência de um número mais significativo de campanheiros;
  • Início da atividade com uma leitura evangélica e prece, e conclusão igualmente com uma oração de agradecimento, respeitando-se a impossibilidade do retorno de alguns;
  • Disciplina de horário para o início e fim da atividade;
  • Mapeamento prévio dos bairros e ruas a serem visitados, evitando-se a improvisação contraproducente;
  • Planejamento do roteiro a ser percorrido a cada semana, elaborado com a devida antecedência;
  • Boa articulação com o movimento espírita local, evitando-se o comparecimento de equipes de casas espíritas distintas num mesmo logradouro e no mesmo dia;
  • Abordagem aos moradores dos lares visitados sempre com dois ou mais campanheiros, de forma breve, serena e genuinamente cristã;
  • Atenção para não haver dispersão entre os membros da equipe, resultando em desgoverno e ausência de unidade, tão essenciais ao sucesso da ação;
  • Dimensionamento da equipe de modo a haver um desejável equilíbrio entre elementos masculinos e femininos. Lembrar-se que tal momento não é para namoro;
  • Exclusão de crianças nesse tipo de ação assistencial, propiciando-lhes, sim e compativelmente, o ensino moral e atividades lúdicas na intimidade da própria casa espírita;
  • Ausência de conversações contrárias aos objetivos da tarefa, mantendo ambiente propício a atrair a presença dos bons espíritos;
  • Abstinência de bebidas alcoólicas, do fumo e de assemelhados durante todo o período da tarefa, guardando a sintonia indispensável entre os membros do grupo e com os espíritos que assistem na invisibilidade;
  • Gentileza, fineza de trato e discrição no contato com o morador. A primeira impressão é fundamental;
  • Estado permanente de alegria e cordialidade, mesmo diante dos transeuntes apressados ou zombeteiros;
  • Utilização de sacolas ou similares, se possível, com a identificação da instituição, granjeando a simpatia e a confiança daqueles convidados à atitude fraternal;
  • Uso de crachá que contenha os dados da casa espírita e o nome do campanheiro, como forma de apresentação do mesmo diante dos lares visitados;
  • Distribuição de mensagens de conteúdo evangélico, se possível, porém guardando o respeito indispensável à opinião e crença dos outros;
  • Manutenção da serenidade diante da recusa do auxílio solicitado, ou da agressão de qualquer natureza, afastando-se silenciosamente e emitindo pensamentos fraternais. O Mestre nos recomendou evitar as contendas. As polêmicas em situações como essas são geradoras de mal-estar e azedume;
  • Aproveitamento do momento adequado para externar convites referentes a visita e conhecimento desta ou daquela tarefa da instituição;
  • Procedimento coletivo onde campanheiro algum leva recursos de qualquer natureza, angariados na campanha do quilo, ainda que sob pretexto de assistir alguma família carente;
  • Cooperação por parte dos mais jovens transportando as mercadorias e fardos obtidos;
  • Educação na abordagem evitando, inclusive, a insistência com a campainha face à demora no atendimento;
  • Prudência, evitando comentar quadros espirituais percebidos num ou noutro ambiente visitado, susceptíveis de traumatizar ou de criar situações embaraçosas;
  • Conversão do campanheiro em trabalhador ativo da casa espírita, participando de reuniões públicas e de estudos evangélicos doutrinários;
  • Aplicação dos valores em dinheiro arrecadados com exclusividade na assistência às famílias carentes;
  • Formação de equipes ou subequipes não excedendo de dez membros, quando existirem muitos tarefeiros disponíveis.

Vale considerar que a grandeza da tarefa, muitas das vezes, desperta e estimula os visitados a conhecerem o espiritismo, sem dizer daqueles que se tornaram espíritas, quando um dia, na plena intimidade dos seus lares, foram tocados pelas vibrações harmoniosas dos tarefeiros da campanha do quilo!

Fonte: Encontro de Tarefeiros da Campanha do Quilo

PROMOÇÃO: ALIANÇA MUNICIPAL ESPÍRITA DE BELO HORIZONTE (AME/BH)

Célio Alan Kardec de Oliveira

Presidente do Conselho Espírita Municipal da AME-BH

Belo Horizonte, 07.03.2002

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